Evolução tecnológica: como será nossa vida daqui a 20 anos?

Peço uns segundos de reflexão para o seguinte: o aparelho de telefone que você tem no bolso tem o poder de processamento e a capacidade de armazenamento várias vezes maiores do que o computador gigante que você usava pra entrar no ICQ em 2003. Aliás, o seu celular é mais poderoso do que o computador da NASA que levou o Apollo 11 à Lua.

Mas há quem esteja tentando – gente que, inclusive, já teve sucesso no passado em palpitar sobre onde estaríamos tecnologicamente nos dias de hoje. O PEW, instituto de pesquisas sobre internet, conversou com especialistas sobre as possibilidades para a internet nos próximos anos. O site Edge.org entrevistou Kevin Kelly, editor da revista Wired e um dos mais respeitados analistas sobre o futuro da tecnologia. E nós vasculhamos o vasto material coletado nessas entrevistas em busca da resposta: quão diferente nossa vida será daqui a 20 anos por causa da evolução tecnológica?

Wearables Você já deve ter ouvido falar dessa categoria de gadgets – que carece de uma tradução adequada em português. O termo se traduz literalmente como “vestíveis” e nele se encaixam aparelhos como o os relógios da Samsung e da Apple, o Glass, do Google, e pulseiras que registram atividades físicas, como Fitbit. De acordo com especialistas, é aí que vamos nos aproximar mais rapidamente dos filmes de ficção científica. Eles vão baratear, se tornar populares e vão incorporar aplicativos de realidade aumentada capazes de mudar nosso cotidiano e a maneira como os recursos tecnológicos se relacionam. Imagine ver a realidade com camadas de dados – visualizar, pelo seus óculos, a distância de onde você está para onde quer ir, com coordenadas ao vivo? As possibilidades para gadgets como esses são bastante amplas.

A escassez de atenção “Nós gastamos quatro, talvez cinco anos estudando e treinando para aprender a ler e escrever, e esse processo de aprendizado afeta as conexões no nosso cérebro. (…) Pode ser que para que aprendamos a gerenciar nossa atenção, a pensar de maneira crítica, (…) toda essa ‘alfabetização tecnológica’, tenhamos que passar anos treinando e estudando. Talvez demande treinamento, estudo”, diz Kevin Kelly, editor da revista Wired. Outros especialistas concordam: atenção e a capacidade de focar-se em algo por um período estendido serão commodities raras, e talvez ainda não saibamos, mas seja necessário estudar e dedicar tempo a adaptar nosso cérebro a esse contexto de hyperlinks e referências cruzadas entre o conteúdo que consumimos sem deixar que isso atrapalhe a concentração e a absorção da informação.

Internet das coisas A internet ainda é, para nós, uma coisa na qual estamos conectados ou não. Ou seja, existem momentos em que estamos na rede e horas em que estamos completamente desconectados. Em 20 anos, a relação entre nós e a rede será parecida com a maneira como lidamos com a eletricidade: ela simplesmente existe e permeia nosso cotidiano. Não falamos sobre, não analisamos seu impacto e assumimos que ela simplesmente esteja ali o tempo. Só notamos que ela existe quando não a temos mais. Da mesma maneira que a eletricidade, espera-se que a internet fique tão barata que se espalhe pelo mundo e chegue inclusive a regiões carentes.

Um dos especialistas disse, anonimamente: “a internet e a humanidade serão uma coisa só, pro bem ou pro mal. A internet das coisas será a inovação mais útil, e a que mais pegará as pessoas de surpresa.” Nos próximos 20 anos, a internet será parte de praticamente todas as coisas que a gente tem e tudo vai se integrar online – da porta da sua frente da sua casa a sua bicicleta, sua câmera fotográfica, sua geladeira, as lâmpadas e a mesa de jantar.

Esqueça a privacidade Se você acha que temos um problema com privacidade, saiba que a maioria dos analistas diz que é um caminho sem volta. E em vez de nos preocuparmos em não sermos monitorados, vamos desistir de brigar pelo impossível e tentar diminuir o impacto dessa nova realidade. Como? Exigindo mais transparência (assim, tendo certeza quem está nos monitorando, quando e porquê) e negociando períodos cegos, um espaço de tempo pra ficar livre da vigília constante.

A tecnologia resolve problemas, mas cria outros ” A maioria dos nossos problemas hoje é tecnogênico, ou seja, foram criados pela tecnologia”, explica Kevin Kelly. E a maioria dos problemas do futuro, ele diz, serão criados por tecnologias que estamos desenvolvendo hoje. Isso acontece desde os primeiros avanços tecnológicos – quando, por exemplo, o homem desenvolveu um martelo feito de pedra, ele foi usado como ferramenta, pra produzir outras coisas, mas também foi usado para ferir pessoas de maneira mais eficiente. E Kelly diz que usar um martelo para uma coisa ou outra é uma questão de escolha, mas que antes de inventarmos o martelo, essa escolha nem existia. “A tecnologia segue dando meios para que façamos o bem e o mal, e está ampliando as duas possibilidades, mas o fato de que temos uma nova escolha a cada vez é uma coisa boa também.”

(Fonte: http://revistagalileu.globo.com)

Veja também